Posted by José Luiz Jorge | novembro - 6 - 2017 | 0 Comment

Uma equitação de qualidade deve ser construída a partir de uma ação integrada e sincronizada, não apenas no aspecto físico como também através de uma conexão mental, intuitiva e emocional com o seu Cavalo. O que as pesquisas atestam agora é que esse sentimento também existe por parte do Cavalo com relação às pessoas, quando lhe é dada a oportunidade de escolher estar com você, em vez de obriga-lo a força ou por contenção a fazer isso.
Você já sentiu ou se dedicou durante um treino, uma cavalgada, a construir uma conexão especial com seu cavalo? Você já teve uma sensação de que você e seu cavalo estariam conectados como se fossem um só ser, como ensina Bjarke Rink, no seu “Enigma do Centauro”, como se sentissem as mesmas percepções e emoções, ligados através de elo de qualidade superior?

Certa ocasião durante um curso, aqui sempre no final é feita uma cavalgada de 13 a 15km, uma aluna em certo ponto experimentou essa conexão e gritou: – Meu Deus ela está se movimentando junto comigo, como se eu pensasse e ela fizesse os movimentos, que loucura é essa?
Não, não é nenhuma loucura, e em diferentes universidades, pesquisadores estão empenhados em tentar entender o que exatamente acontece quando ocorre essa conexão, que muitos cavaleiros e criadores afirmam sentir quando estão trabalhando com seus cavalos, montados ou até mesmo do chão.
Isso começa a ser documentado em um estudo preliminar, disse Paolo Baragli, DVM, PhD, pesquisador do Departamento de Ciências Veterinárias da Universidade de Pisa, na Itália. Juntamente com o colega Antonio Lanata, PhD, do Centro de Pesquisa de Bioengenharia e Robótica de E. Piaggio da Universidade de Pisa e do Departamento de Engenharia da Informação, onde estão investigando os mistérios das conexões do coração cavalo-humano.
Através de pesquisas de alta tecnologia usando sistemas de monitoramento “wearable” e algoritmos, eles já concluíram que cavalos e humanos tendem a alinhar suas respostas fisiológicas a um estímulo emocional, que pode sim fazer com que os dois seres sintam as mesmas coisas.
Na Itália, estudiosos em comportamento e fisiologia começaram testando parâmetros cardíacos de 11 humanos e uma égua em diferentes tipos de interação.
Nós, que praticamos o Horsemanship partimos de alguns pressupostos que também foram considerados na pesquisa. Primeiro, reconhecemos o direito do Cavalo se auto proteger, e ao invés de submissão e contenção trabalhamos confiança e cooperação e proporcionamos ao cavalo direito de escolher, a seu tempo, estar conosco ou não e o convidamos a fazer essa escolha.
Eles descobriram que os cavalos e os seres humanos tendiam a “unir” o seu estado emocional (medido por indicadores de frequência cardíaca) e programas algoritmos que interpretam esses dados, associando os mesmos com situações, confirmando que quando a interação é espontânea e parte do cavalo as sensações se tornam similares.
Quando forçado a seguir ou acompanhar o Humano, a sua frequência cardíaca se altera, saindo da conexão sincronizada com a pessoa. A oportunidade de escolha é uma das novas fronteiras do bem-estar dos animais e, dessa forma, os resultados preliminares da pesquisa parecem confirmar que dar aos animais a oportunidade de escolher as suas necessidades emocionais os encoraja, anima e acalma.

Há décadas atrás os mestres do Horsemanship, como Tom e Bill Dorrance, Ray Hunt e ainda hoje Buck Branaman recomendavam essa atitude em suas clínicas, “procure ver o mundo como cavalo vê e sente”, e aqui praticamos isso desde o início da vida do potro, na sua escolarização, todo o tempo, e os resultados práticos são fantásticos, por exemplo, quando os encilhamos soltos ao nosso lado, ou solicitamos a parar com um leve assobio em vez de uma dura e errada ação de rédeas na sua boca. Aqui costumamos dizer que o Cavalo fala conosco e nós buscamos a cada momento sentir o que eles sentem.
“Este estudo preliminar é como uma tentativa de abordar a pesquisa sobre transferências emocionais interespecíficas, o que pode ser relevante na intervenção assistida com cavalos, mas mesmo no relacionamento cotidiano para lazer e esporte”, acrescentou. “Essencialmente, parece que a qualidade e o tempo do contato em si afetam a atitude emocional entre duas espécies diferentes”, analisa o pesquisador Baragli.
Se os estudos futuros o confirmarem, prossegue Dr. Baragli, “isso significaria que ambos os sistemas nervosos autônomos de cavalo e humano podem ser influenciados reciprocamente”, disse ele. “Isso poderia ser um sinal de uma transferência emocional entre cavalo e humano. Mas, neste momento, não podemos excluir outros motivos menos relevantes “.
O estudo, “Medidas quantitativas do acoplamento de batimentos cardíacos na interação homem-cavalo”, foi publicado nos Procedimentos da IED 38a Conferência Internacional Anual da Sociedade de Engenharia em Medicina e Biologia .
Vamos acompanhar os desdobramentos nas Universidades europeias que buscam financiamento para prosseguir seu trabalho, enquanto no correr do tempo, no Rancho, praticamos a linguagem natural do cavalo e podemos testemunhar que suas respostas são generosas, compassivas, colaborativas e seu desempenho em atividades de esporte e lazer são absolutamente surpreendentes, se comparadas com a brutalidade de manejos tradicionais que nada tem a ver com Bem Estar e nem com respeito a esta espécie que sempre pagou um alto preço por ajustar-se generosamente ao ser Humano.


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