Posted by José Luiz Jorge | fevereiro - 18 - 2017 | 2 Comments

Quando se trata treinamento de cavalos jovens, iniciação e escolarização de potros, há uma abundância de informação disponível para nós através de livros, DVDs, Internet, televisão e clínicas. Isso poderia ser usado como um guia, um roteiro e fazer um novo cavalo deveria ser uma atividade tranquila.

No entanto, a realidade é que as pessoas cometem muitos erros. Há informação equivocada também e a chave principal está na sua capacidade de ler e sentir o cavalo, observando as respostas dele, que vai te dizer se aquilo que você está fazendo tem algum sentido para ele, ou não.

A coisa legal sobre cavalos é que eles podem ser muito generosos e tolerantes e você mal percebe, de início, os erros. Ele vai se entortando, se defendendo para compensar. Se você parar de fazer coisas erradas e começar a fazer as coisas certas, os cavalos farão a mudança positiva que você quer, mais rápido e de modo mais consistente e aí você perceberá a diferença.

  1. INCONSISTÊNCIA NO MODO DE SOLICITAR, O QUE SOLICITAR E QUANDO SOLICITAR

Às vezes, quando não temos certeza do que estamos fazendo, podemos saltar etapas e experimentar coisas diferentes. Não há nada de errado em tentar algo novo, mas dê tempo ao cavalo para descobrir isso. Você vai confundir seu cavalo se você saltar para a frente e para trás entre métodos contrastantes. Se pedir as coisas desordenadamente ou com linguagens diferentes, colocando pressão demais ou aliviando na hora errada você só irá confundir a mente dele e torna-lo defensivo.

Se você solicitar ações para as quais ele não foi capacitado até fisicamente, exemplo, alongamento da musculatura do pescoço, flexões de nunca forçadas antes da hora, alongamento de espáduas, desengajamento de posteriores, ou seja se começar do fim não terá um bom cavalo.

Treiná-lo causando dores, quanto mais novo ele for, pior ficará. Trancos e solavancos na boca, chicote e espora quando ele está apenas querendo entender seu pedido, ou está defendendo da dor e querendo sair daquilo de qualquer modo, é o atalho mais curto para danificar a mente e o corpo dele. Às vezes de modo irrecuperável.

Na formação dos potros, menos é mais. Menos vaidade, exibicionismo, mais foco no cavalo, em ver o mundo como ele vê e no tempo dele, sempre. Depois de bem consolidado, avance com novidades solicitando-as, exemplificando, dando tempo, e sempre passo a passo e na mesma linguagem, refine sua capacidade de ler e sentir o que o Cavalo jovem está pedindo.

Você também precisa ser consistente em como aplicar o método. Você não pode permitir mau comportamento e em seguida, fazer uma repreensão fora do tempo dele, dolorosa e como castigo. Castigo não ensina nada ao cavalo. Eu mesmo detesto quando um cara despreparado, justifica seus erros, falando eu estou “corrigindo” o cavalo, isto é, batendo fora do contexto, na verdade esse cara precisa desmontar, mudar de ramo, antes de acabar com o cavalo.

Eu dei treinos a pessoas que pressionando e se apoiando na boca do cavalo, usando mal as pernas estavam ensinando ao cavalo como encapotar a cabeça para se defender e em seguida corcovear para tirar a pessoa de cima, se ela continuasse daquele modo, bastam três repetições para ele aprender o que fazer… e elas diziam que o cavalo estava “colocando a cabeça”.

Depois fizemos melhorias com o cavalo. Como? Ensinando elas dar alívio na hora certa e relaxando o animal, mostrando na comunicação com ele, mais pela ação de pernas e menos pressão na boca, que nada errado ou dolorido estava acontecendo. Mostrava para a pessoa que ela tinha de fazer uma pausa e deixar seu cavalo relaxar.

Se uma parte do tempo você deixa seu cavalo apoiar na embocadura, então ele aprende essa parte do tempo que o certo é inclinar-se sobre ela. Se você é consistente sobre não o deixar inclinar-se, em seguida, ele vai ficar consistentemente melhor. Desse modo é que se remove a confusão e acelera-se o processo de aprendizagem.

2. SENTIR (FEEL) e RESPEITAR O TEMPO DELES (TIMING) BASES DO HORSEMANSHIP

Sentir o sincronismo, ir mão-na-mão, então sempre falo com eles. Ambos são igualmente importantes, mas a sensação vem em primeiro lugar. Se você não pode sentir quando liberar a pressão, então seu timing sempre será tardio.

Se você não olhar para as pequenas mudanças em um cavalo, não será capaz de notar isso, ou ainda tem muita gente no meio que só tem olhos para ver os “defeitos” ou respostas erradas, não valoriza e não respeita o esforço que o Cavalo está fazendo para acertar e receber alívio.

Lembre-se que o cavalo é espelho de quem mexe com ele. O que você não gosta nele, são atitudes suas próprias que te desagradam, agradeça ao cavalo por te mostrar em vez de punir ele.

Você tem que sentir cada pequena mudança que um cavalo faz para que você saiba que ele está tentando. Se você olhar para ela, você vai encontrá-la mais cedo. Quanto mais cedo você sente isso mudar, quanto mais rápido você vai liberar a pressão. Seu cavalo irá melhorar mais rapidamente, com menos confusão. Seu sincronismo e sua capacidade de sentir, sempre podem ser melhorados, mas nunca serão perfeitos. É por isso que os melhores treinadores sei continuamente trabalham para melhorar essas duas coisas.

Aqui é um exercício que você pode praticar com seu cavalo para trabalhar em seu sincronismo e sentimento. Ao lado de seu cavalo, põe a mão no nariz acima das narinas. Esprema suavemente com os dedos. Não queres causar dor, apenas torná-lo um tanto desconfortável. Ele vai começar a movimentar a cabeça para fugir da pressão. Libera a pressão quando a cabeça se move para baixo.

Este é um bom exercício de relaxamento e pode tornar mais fácil para refrear o cavalo. Com um pouco de prática, você pode fazê-lo colocar a cabeça para o chão. O que vai fazer seu cavalo aprender mais rápido você sentindo sua vantagem para se mover, em seguida, imediatamente, liberando a pressão.

3. GANHAR O RESPEITO DELE FAZ TODA DIFERENÇA

Ganhar o respeito de seu cavalo pode ser muito difícil para algumas pessoas. E realmente não é tão difícil, mas algumas pessoas têm dificuldade em se fazer como líderes-alfa do cavalo, o que é necessário para obter o nível necessário de respeito.

Se você quer seu cavalo para fazer o que pede, você tem que ter o respeito dele, mas não amedrontar. Veja que receber respostas corretas com satisfação, porque respeita sua liderança, é diferente do que ele obedecer pelo medo. Aqui ele faz como fuga não como adesão ao projeto comum.

A maioria das pessoas tem o outro lado do problema que é falar com o cavalo como se ele fosse um humano com menos de um ano, a chamada linguagem tatibitate… ou achar que se elas repreenderem seu cavalo, em seguida, o cavalo não gostará mais delas. Eu nunca incentivei ninguém a bater em seu cavalo, só que temos de firmes ou preferencialmente claros nas solicitações para que ele possa tentar fazer.

Quando repreender um cavalo, você pode causar medo, pedindo muito duro e não premiar a pequena tentativa. Usando o medo para treinar isso é autodestrutivo, porque eventualmente o cavalo vai ficar dormente para o que está fazendo e então você vai ter que aumentar o medo para mantê-lo funcionando. Isso chega ao fim quando o cavalo finalmente decide que ele pode levar tudo o que você fizer. Você ganhou as batalhas, mas perdeu a guerra, porque não se tratava de uma guerra para ter um “vencedor”.

Quando você usar o respeito para treinar, o cavalo faz algo porque você perguntou e ele está gostando daquilo como um jogo, uma brincadeira. Nunca subestime a inteligência de um Cavalo, porque ela pode superar a sua em várias notas, como nos ensinavam Tom Dorrance e Ray Hunt.

Eventualmente, você pode usar voz ou gestos para obter a resposta desejada. Você pode ser capaz de andar sem um freio, bridão, ou mesmo uma cabeçada usando nada, mas uma mudança de peso ou uma perna de luz, mas que tudo começa com usar as ferramentas necessárias para lhe dar controle que leva a respeito, na linguagem dele (pressão x alívio) e no tempo dele.

Um monte de problemas acontece porque um cavalo é autorizado a fazer algo errado que o proprietário não percebe como um problema em potencial. Em seguida, o proprietário vai dizer algo como, “de repente, um dia ele me mordeu.” Isso não aconteceu “de repente.” Durante um período de tempo, o cavalo passou de amigável, a insistente e depois deu para morder. Quando você não vê no dia a dia os detalhes, parece que isso acontece de repente.

Respeito começa com as bases. Seu cavalo deve conduzir sem arrastar. Ele não deve andar sobre ou muito perto de você. Ele deve parar quando você parar e sair quando sair. Você deve ser capaz de ajudá-lo facilmente. Quando pressionar, ele deve andar, trotar e galope quando você propor sem implorar. Fazer as coisas no chão, como desabilitar os quartos traseiros e mover as patas dianteiras para a direita e esquerda, são exercícios que ganham respeito porque você toma as decisões e você está no controle.

2 Responses so far.

  1. Edson disse:

    Prezado José Luiz,
    Considero um achado esses seus artigos, antes de tudo, meus agradecimentos.
    Venho a algum tempo me dedicando aos cavalos e desde o incio busco a doma e o trabalho inteligente, sei que as vezes me falta paciência e, consciente disso, venho trabalhando a minha postura e comportamento.
    Tenho um potro QM, que se aproxima dos 3 anos e venho a cerca de um mês trabalhando com ele no redondel, depois de colocá-lo pra caminhar, trotar e galopar, sempre fica mais fácil a sequência de trabalho – neste momento estou charreteando.
    O problema é quando entro no piquete, diferentemente dos problemas que vejo e das dificuldades normalmente apresentadas, o meu potro não foge, ele parece “querer me abraçar” até entendo como gesto de carinho, mas incomoda, dificulta a colocação do cabresto e as vezes até a condução dele até o local de treino.
    Qual a dica de correção que tem pra mim?
    Abraço

    • José Luiz Jorge disse:

      Olá Edson. primeiro desculpe a demora na resposta, mas o site não me notificou da entrada do seu comentário. Agradeço a mensagem e fico honrado, e a ideia é que os artigos sejam úteis e façam sentido.
      bom, o problema que vc tem de fato é menos complicado que a maioria das pessoas relata. A princípio acho recompensador que seu potro não tenha reações de fuga e defesa em relação a você.
      Mas, cavalos como sempre digo não são pets, e devem ser amados como cavalos, na linguagem deles e é importante colocar limites, para que a aproximação voluntária dele, que é sempre um objetivo nosso, não se torne uma ação de dominância e entrada no seu espaço pessoal.
      há bons exercícios à guia longa com 2 metros, uma corda mais grossa, com a qual você pode adotar técnicas ensinadas por Clinton Andersen, em que você movimenta a corda verticalmente e ele se afasta (io-io out) e quando a movimenta horizontalmente (io-io in) ele se apeoxima, isso também se baseia na linguagem natural deles que é pressão e alívio.
      Praticando isso com ele no redondel você ensina a colocar limites. Ele vem até onde você autoriza. moveu a corda verticalmente ele para e depois se afasta. assim que parar, vc alivia e agradece ele.


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